Pais sábios aos seus próprios olhos

Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Provérbios 3:7

Temos o compromisso, como pais, de preparar nossos filhos agora no presente para que no futuro eles saibam tomar decisões e resolver problemas. Surpreendo-me, porém, com a excessiva preocupação de muitos pais em jamais errar na educação de seus filhos. Certa vez, uma mãe me disse de forma bastante segura e enfática que não entendia como tantos pais erram e não atuam preventivamente a qualquer sinal de dificuldade de seus filhos. Ela enfaticamente me disse que “previa e buscava recursos para prevenir toda e qualquer situação que pudesse colocar a educação de seus filhos em risco”. Confesso que fiquei triste ao ouvir esse depoimento que ela concluiu com a seguinte frase: “tenho certeza que, caminhando assim, Deus nunca precisará me ensinar pela dor. Será sempre pelo amor, pois eu previno!”

Pensei. Educar não é uma questão de fazer coisas certas para escapar da dor. Deus, nosso Pai, não escolhe ensinar pelo amor ou pela dor. Ao contrário, Ele é só amor. Quando algo acontece aos nossos filhos não significa que Ele está nos ensinando pela dor porque não cuidamos e prevenimos aquela situação. Por amor, Ele vai sim aproveitar um contexto de sofrimento para tratar com os pais que creem que educar é blindar os filhos de possíveis sofrimentos, crises, erros e necessidade de recomeços.

Prevenção tem se tornado parte da nossa cultura. Mas educar preventivamente não significa estarmos sempre no controle de tudo e conseguindo prever onde e como estarão os riscos e perigos para nossos filhos. Educar preventivamente é importante, necessário, é bom, traz saúde e tranquilidade de dias mais calmos e menos sustos. Contudo, tem havido uma distorção enorme no entendimento dessa palavra. Atualmente vejo pais confundindo prevenção com educação, como se prevenindo riscos estivessem, quem sabe, educando.

É certo que temos sido beneficiados com os avanços na prevenção da saúde física, tais como: vacinas, teste do pezinho, da orelhinha, prevenção de alergias (lactose, glúten, pó, perfume, corante, entre outros). Além da prevenção de doenças, também nos apressamos em preparar os pimpolhos para o futuro e, para isso, aprendem natação, futebol, artes marciais, vários idiomas, jogar xadrez, fazer cálculos de maneira mais hábil e, finalmente, para abrilhantar essa educação e preparação para o futuro, levamos nossos filhos a participarem das atividades da igreja.

Tudo isso é bom e ajuda. Como pais queremos oferecer algumas dessas atividades aos nossos filhos. Elas poderão, sem dúvida, contribuir para que eles possam viver com menos fatores de risco no futuro, mas nenhum desses recursos prevenirá nossos filhos dos males e sedução do mundo.

Para vaciná-los dos males e sedução do mundo, eles precisam compreender que o Senhor os ama como um Pai amoroso e cuidadoso.

Nossa tendência é querer passar para nossos filhos aquilo que sabemos, que aprendemos: a nossa própria sabedoria. Aquele conjunto de regras e crenças que formulamos a partir de tudo o que vivenciamos ao longo da nossa história de vida parece ser o que garantirá um futuro melhor aos nossos filhos. Como pais, somos sábios aos próprios olhos quando consideramos que estamos no controle total de todas as circunstâncias as quais nossos filhos serão expostos, ou quando imaginamos que poderemos transmitir a eles regras de desempenho que lhes permitam agir em toda e qualquer situação que o mundo disporá no seu caminhar.

Concluo essa reflexão, por hoje, com uma pergunta: em que você confia e dispõe o controle da vida e da educação de seus filhos? Na sua bagagem cultural, nos aprendizados obtidos pela sua história de vida ou por livros de educação para pais? Então, eu te digo: você está sendo sábio aos seus próprios olhos, conforme Provérbios 3:7.

Posso sugerir algo? Provérbios 3:5-6. Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Na família da cruz,

Maura Freitas.

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